
Abaixo está escrito um trecho do livro: A necessidade da arte, de Fischer, Ernst.
Quem se considera um artista dê uma lida e vê se Fischer realmente tem coerência sobre o propósito da arte em plena sociedade, principalmente agora.
[...] Um artista só pode exprimir a experiência daquilo que seu tempo e suas condições sóciais têm para oferecer. Por essa razão, a subjetividade de um artista não consiste em que a sua experiência seja fundamentalmente diversa da dos outros homens de seu tempo e de sua classe, mas consiste em que ela seja mais forte, mais consistente e mais concentrada. A experiência do artista precisa apreender as novas relações sociais de maneira a fazer que outros venham a tomar consciência delas; ela precisa dizer hic tua res agitur (trata-se de coisa tua). Mesmo o mais subjetivo dos artistas trabalha em favor da sociedade. Pelo simples fato de descrever sentimentos, relações e condições que não haviam sido descritos anteriormente, ele canaliza-os do seu “Eu” aparentemente isolado para um “Nós”; e esse “Nós” pode ser reconhecido até na subjetividade transbordante da personalidade de um artista.
Só a arte pode fazer todas essas coisas. A arte pode elevar o homem de um estado de fragmentação a um estado de ser íntegro, total. A arte capacita o homem para compreender a realidade e o ajuda não só a suportá-la como a transformá-la, aumentado-lhe a determinação de torná-la mais humana e mais hospitaleira para a humanidade. A arte, ela própria, é uma realidade social. A sociedade precisa do artista, este supremo feiticeiro, e tem o direito de pedir-lhe que ele seja consciente de sua função social.
Tal direito nunca foi discutido numa sociedade em ascensão, ao contrário do que ocorre nas sociedades em decadência. A ambição do artista que se apoderou das idéias e experiências do seu tempo têm sido sempre não só de representar a realidade como a de plasmá-la.



